Veja como a fusão entre Azul e Gol pode mudar sua experiência como consumidor
- Henrique Marcondes

- 17 de jan. de 2025
- 2 min de leitura

A possível fusão das companhias aéreas Azul e Gol está sendo vista como um verdadeiro teste para a independência do CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), especialmente após o otimismo demonstrado pelo governo federal em relação ao acordo. Uma advogada e ex-assessora jurídica da presidência do grupo acredita que essa fusão será crucial para avaliar a autonomia do CADE. Por outro lado, especialistas divergem sobre os impactos que essa união pode trazer ao consumidor, gerando um debate acalorado sobre as possíveis vantagens e desvantagens para os passageiros.
A possível fusão entre Azul e Gol: o que você precisa saber
Recentemente, as companhias aéreas Azul e Gol surpreenderam o mercado ao anunciar que estão estudando uma possível fusão. As duas empresas firmaram um memorando de entendimentos não vinculante, sinalizando uma potencial união de seus negócios. No entanto, ainda não há informações sobre os valores envolvidos nas negociações.
Se a fusão for concretizada, a nova empresa resultante controlaria 60% do mercado doméstico de aviação civil no Brasil. A Latam, a segunda maior concorrente, ficaria com os restantes 40%, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Impacto da Fusão: O Consumidor Sai Ganhando ou Perdendo?
Especialistas têm opiniões divergentes sobre os efeitos da fusão entre Azul e Gol para os consumidores. Rodolpho Oliveira Santos, advogado com experiência em Direito Societário, Aviação e Infraestrutura, é cético quanto aos benefícios, acreditando que a fusão serve apenas para aliviar a situação financeira das companhias. Em contrapartida, Fernando Canutto, sócio da Godke Advogados e também especialista em Direito Societário, vê uma possibilidade de melhorias, especialmente nos serviços oferecidos a bordo.
O que esperar?
A oferta de viagens, horários e destinos pode sofrer uma redução significativa. Segundo Santos, essa já era uma realidade para muitos consumidores em diversos destinos, e a concentração de mercado pode agravar ainda mais essa situação. "O consumidor ficará à mercê das decisões da empresa", alerta.
Já no que diz respeito aos preços das passagens, a situação é um pouco mais complexa. Canutto aponta que, se apenas uma companhia operar em determinado trecho, os custos operacionais podem diminuir. No entanto, ele não acredita que isso resultará em uma queda acentuada nos preços. "Se houver economia, podemos observar uma eventual melhoria no serviço de bordo, já que o da Azul, por exemplo, é amplamente reconhecido como superior ao da Gol", destaca.
Os especialistas são unânimes em afirmar que ainda é cedo para prever mudanças concretas, já que a fusão precisa ser aprovada pelo CADE. Não há uma previsão clara de quando essa decisão será tomada.
Caminho até a fusão
Em novembro, a Gol concluiu um acordo de reestruturação para sair do processo de recuperação judicial, iniciado nos Estados Unidos em janeiro do ano anterior. Por sua vez, a Azul firmou, em outubro, um acordo com credores para fortalecer sua saúde financeira. O acordo inclui a contração de uma nova dívida de US$ 500 milhões (aproximadamente R$ 2,8 bilhões), com US$ 150 milhões fornecidos pelos credores atuais em 90 dias, e mais US$ 250 milhões após esse período. Manteremos todas as atualizações sobre essa possível fusão disponíveis em nossos canais digitais. Inscreva-se para acompanhar.
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